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Resenha de Filme: Noite do Terror (Black Christmas)

11 de junho de 2013 0 Comente Aqui!
O diretor norte-americano Bob Clark têm uma filmografia marcada por comédias escatológicas, dessas repletas de piadas sexistas e de gosto duvidoso. Com destaque para a  famigerada - e não menos divertida - dualogia Porky´s - A Casa do Amor e do Riso (1982) e Porky´s 2 - O Dia Seguinte (1983). Entretanto, ainda nos idos de sua carreira, mas precisamente em 1974, Clark realizou no Canadá o que pode ser considerado um dos seus melhores trabalhos e também um clássico do terror setentista, Black Christmas, no Brasil, Noite do Terror. Bebendo então da fonte ainda pouco explorada dos giallos italianos de Mario Bava Dario Argento, o diretor constrói um filme que preza pelo suspense desde o seu primeiro momento. Não á toa ele usa uma câmera em primeira pessoa para abrir o filme e  sem rodeios coloca o possível vilão escalando a casa da fraternidade de moças onde praticamente toda a trama vai se desenrolar.

Em uma das noites que antecedem o Natal, as mocinhas, em sua maioria "moderninhas", participam de uma comemoração no antigo casarão que acomoda a fraternidade. A responsável do lugar é a senhora Mac (Marian Waldman), uma cinquentona com tendência ao alcoolismo. As meninas costumam fazer chacota da pobre governanta, mas no fundo tem apreço pelo o que ela simboliza: a ordem, ainda que transviada. Nessa mesma noite, elas recebem o telefonema que vêm sendo uma constante há dias. Entre algumas vozes difusas, incluindo a de mulheres sofrendo, identificam sempre a do sujeito que acusam de ser um pervertido. A mais espevitada delas é Barb (Margot Kidder, a Lois Lane de Superman - O Filme), que toma o fone em suas mãos e inicia uma argumentação com o assediador. Entre gracejos proferidos pela moça, no final da ligação ela escuta: " - Vou te matar." Em seguida, uma menina mais recatada, Clare (Lynne Griffin), abre uma áspera discussão com Barb. Contidas pelas outras moças, Barb resolve continuar sua bebedeira, enquanto Clare sobe para o quarto.

No momento subsequente, bem ao estilo "argentiano", acompanhamos, com requintes de crueldade, o estilizado assassinato de Clare. Esse crime inicial, onde somente a audiência sabe que aconteceu, passa a ser o fator motivador para a trama de Noite do Terror. Logo que constatam o sumiço da companheira de fraternidade, as moças - lideradas pela mesma Barb, a racional Phyl (Andrea Martin) e a passional Jess (Olivia Hussey) -, aliadas ainda ao pai da moça, o Senhor Harrison (James Edmond), passam a investigar os possíveis paradeiros da amiga. Algumas possibilidades são cogitadas, como Clare ter fugido com o namorado. E também outros personagens enigmáticos, como o pianista  e namorado de Jess (Keir Dullea, um dos astronautas de 2001 - Uma Odisseia no Espaço),  começam a povoar a história e surgir como suspeitos. Á medida que a resolução do desaparecimento não parece próxima, o grupo decide procurar a polícia. E a investigação passa a ser capitaneada pelo tenente Fuller (interpretado pela lenda dos filmes B, John Saxon).

Diferente dos filmes de terror Slasher que começavam a ganhar força, alguns também inspirados pelas violentas produções italianas, Noite do Terror não aposta em um gore mais evidente. Ao melhor estilo artesão, Bob Clark tem cuidado ao delinear as cenas, conjurando com eficiência ambientes escurecidos e um trilha sonora pontualmente sinistra. A história também vai ganhando contornos mais problemáticos com a personagem que surge grávida. Não demora até acontecer outro assassinato não notado pelos personagens - fazendo mais um personagem inexplicavelmente sumir - e aumentando a tensão. E elas continuam a receber sucessivas ligações. E do assassino o público não sabe nada, apenas supõe, tentando captar informações apenas das suas mãos quando a vemos praticando tais crimes. A encenação na imensa e rústica casa ganha contornos claustrofóbicos. São diversos fatores que conspiram até o desfecho catártico. E ao estilo do melhor que o giallo pode oferecer, nada parece muito o que é. Os personagens podem até ser ludibriados, mas o espectador não, que ao final do filme, estampa um sorriso no rosto ao constatar que durante 98 minutos foi abstraído por um exímio conto de horror.


Ficha Técnica:
Noite do Terror (Black Christmas).
Direção: Bob Clark.
Roteiro: Roy Moore.
Duração: 98 min.
País: Canadá.
Elenco: Margot Kidder, Marian Waldman, Lynne Griffin, Andrea Martin, Olivia Hussey, James Edmond, Keir Dullea, John Saxon.

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