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Resenha de Filme: Guerra Mundial Z (World War Z)

28 de junho de 2013 1 Comente Aqui!

Outro filme de zumbi? Que pessoal mais sem criatividade. Talvez essa última afirmação seja mesmo verídica. Mas a recente - e problemática - produção Guerra Mundial Z têm um detalhe que faz toda a diferença: Brad Pitt (O Homem da Máfia, A Árvore da Vida). Quando elucidei evidentes problemas em torno da obra, não falava de seu resultado final, mas dos percalços em refilmarem boa parte da trama. O que gerou certo desgaste entre elenco, direção e estúdio, principalmente pelo custo final ter ficado bem acima do projetado. Creio que talvez a alcunha mais indicada para o objeto de resenha em questão, seja: "O novo filme de Brad Pitt.", ou até mesmo, "O filme de Zumbi de Brad Pitt." Perceberam quantas vezes escrevi o nome do marido de Angelina Jolie (Kung Fu Panda 2, Salt) em menos de dez linhas? O ator, um boa-praça nato, de fato, sempre atraí os holofotes para suas investidas cinematográficas (muito também por ser eficiente e diversificar seus papéis). Mas Pitt têm uma característica que o difere de outras estrelas hollywoodianas: nunca faz seus personagens serem maiores que os filmes. Alguns verão como uma qualidade, outros um demérito. 

Extremamente à vontade na pele do unidimensional Gerry Lane, um ex-agente da ONU acostumado a trabalhar em ações de risco, Brad Pitt entrega uma interpretação deveras caricata, porém, de fácil identificação. Quando uma "epidemia zumbi" inexplicável toma conta do planeta, primeiro o homem precisa salvar sua família, gerando no prólogo os vinte melhores minutos de Guerra Mundial Z. É quando a ameaça se faz mais palpável. Em seguida, com seus entes à salvo em um navio repleto de autoridades trabalhando em prol da solução da crise, Gerry é novamente recrutado para liderar a investigação que irá atrás do paciente zero, ou seja, o primeiro zumbi, e assim trabalhar em uma cura. Nesse sentido, o filme dirigido pelo também eclético Marc Forster - A Última Ceia (2001), Em Busca da Terra do Nunca (2004), Mais Estranho que a Ficção (2006) - vai de encontro a produções como o recente Contágio (2011), de Steven Soderberg e à contramão do estilo da popular série de TV The Walking Dead. Pois diferente de sua parente da telinha que foca nos relacionamentos humanos, usando o mote dos zumbis como pano de fundo, Guerra Mundial Z não tem vergonha em se declarar com um exercício de gêneros. Sejam eles suspense, terror e principalmente ação.

Saltando de país em país - no melhor estilo James Bond - Gerry Lane segue sua linha de investigação caótica. A trama de Guerra Mundial Z tenta elucidar suspense, mistério, mas o espectador calejado sabe muito bem onde tudo vai dar. Então é curioso perceber que existem certas ousadias sintomáticas por parte de Forster e possivelmente da trupe de roteiristas (quatro, ao total, incluindo entre eles Drew Goddard do recente e incensado O Segredo da Cabana). Mesmo que seja velado, existe certo humor, deveras irônico, que permeia boa parte da narrativa. Não se furtando em sacar personagens possivelmente importantes para o desenrolar da trama, zombar de clichês batidos - percebam a cena em que um telefone toca exageradamente iniciando a ação -, ou mesmo atrasar o clímax com um cena sem sentido, gratuita, apenas para tirar sarro da cara da audiência.  Como afirmei em algum momento desse parágrafo, essas condições não são escrachadas e quem não embarcar na proposta, pode sentir certo desconforto, acreditando que o roteiro seja mesmo preguiçoso. Ou até seja, mas, particularmente, diria ser presunçoso. Contudo, uma presunção bem-vinda, assertivamente ancorada  no action-hero minimalista de Pitt

Tal como o seu (criticado) Quantum of Solace (2008) - olha novamente a referência a 007 -, o diretor alemão Marc Forster concebe um filme em que o protagonista salta sem parar de uma sequência agitada para outra. Existe muito pouco tempo para o personagem pensar, assim como para a audiência. Entre um mini-plot e outro, Gerry arregimenta quase que por um passe de mágica suas idéias e embarca em mais ação. Isoladas, tais sequências  poderiam muito bem funcionar como curtas-metragens. Mas não pensem que Guerra Mundial Z é um filme desconexo. Ao contrário, Forster entrega uma história enxuta e que vai direto ao ponto: abstrair o público com um entretenimento simples e eficaz. O que depõe contra é a condição excessivamente artificial dos zumbis, que de tão irreais, não metem medo em ninguém. Os monstros também mesclam características clássicas dos criados por George A. Romero em A Noite dos Mortos Vivos (1968), com a repaginada que Danny Boyle deu nas criaturas em Extermínio (2002). 

Se Guerra Mundial Z não é o filme que muitos esperavam, também não é o fracasso prenunciado. É uma obra simples e com prerrogativas metafóricas esvaziadas. No entanto, feito na medida para agradar em uma sessão despretensiosa ao lado de boa companhia.



Ficha Técnica:
Guerra Mundial Z (World War Z).
Direção: Marc Forster.
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof, J. Michael Straczynski.
Duração: 116 min.
País: EUA/Malta.
Ano: 2013.
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, James Badge Dale, Matthew Fox, Fana Mokoena, David Morse, Pierfrancesco Favino, Moritz Bleibtreu.

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