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Resenha de Filme: Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III)

30 de maio de 2013 1 Comente Aqui!

Um filme de ação travestido de comédia? Ou um filme de comédia disfarçado de ação? Essa foi uma das considerações ventiladas através do ensaiado discurso de divulgação dessa terceira (e aparentemente última) incursão cinematográfica do "Bando de Lobos", criados em 2009 pela dupla de roteiristas Jon Lucas e Scott Moore. Como no longa anterior, onde foi afirmado pelos envolvidos que se retirassem as piadas a Parte II viraria um filme de suspense, o diretor Todd Phillips (Dias Incríveis) aposta nessa interação - descontrolada - de gêneros, propagando clichês de ambas as partes. Tais características não chegam a ser uma novidade, mas são utilizadas com a intenção de galgar certo diferencial, o algo a mais que atiça a curiosidade. Não dá para dizer que aqui se atinja o intento com eficiência louvável. E apesar de evidentemente desnecessário, uma baita forçada de barra, Se Beber, Não Case! Parte III capenga, mas cumpre seu principal papel: o riso gratuito da platéia. Trazendo uma trama estapafúrdia, um fiapo de argumento, a obra também têm como parcial trunfo o entrosado elenco, além da sequência de piadas semi-prontas advindas dos longas-metragens anteriores. 

A primeira cena de Se Beber, Não Case! Parte III amostra, em uma clara referência a Um Sonho de Liberdade (1994), a iminente fuga do pervertido Mr. Chow (Ken Jeong) do presídio Tailandês em que estava preso. Lembrando que ele foi capturado no final da Parte II depois de se envolver em uma transação escusa. Logo esse momento inicial demonstra que boa coisa não há de vir. Em seguida presenciamos o descontrolado Alan (Zach Galifianakis - Um Parto de Viagem) carregando no reboque de seu carro uma imensa girafa por uma movimentada rodovia. O desfecho dessa improvável situação não é dos melhores. A família aborrecida com as atitudes do mimado "homem" - e impelida por sua negação em tomar os medicamentos prescritos e também pela conclusão especialmente trágica do caso com a girafa - entra em comum acordo que apenas um ato drástico pode colocar Alan na linha: a internação em uma clínica de reabilitação. Para o plano dar certo, pensam que somente a intervenção do Bando de Lobos - Stu (Ed Helms), Phil (Bradley Cooper - O Lugar Onde Tudo Termina) e Doug (Justin Bartha) - pode ser motivadora para Alan aceitar sua condição e buscar tratamento. Com a primeira problemática resolvida, é proposto que o grupo o leve até a clinica. Em um trajeto que durará dois dias. O argumento não é muito forte, mas isso é apenas o começo.

Durante a viagem eles são sequestrados por um grupo de criminosos barra pesada. O motivo: antes de ser preso, Mr. Chow teria roubado uma quantia em ouro - também roubado - de um chefão do crime organizado de Las Vegas chamado Marshall (John Goodman - Curvas da Vida). Aqui, o roteiro de Se Beber, Não Case! Parte III, escrito por Todd Phillips e Craig Mazin, começa a sua busca por conectar a situação atual com fatos do primeiro filme. A tentativa é válida, mas não satisfatória. Existem outras sequências semelhantes no filme, trazendo de volta a prostituta (agora ex) com qual Stu se casou na Parte I, interpretada por Heather Graham, e o bebê que Alan carregou, nomeado por ele como Carlos, que agora é uma criança. Voltando a trama, como Mr. Chow está sumido e Marshall exige seu ouro, ele pega Doug como refém e obriga o restante a encontrar Chow no prazo de três dias. Logo temos um longa metragem de homens em missão. Daí a comparação com uma produção do gênero de ação. Localizar o tresloucado chinês não é difícil, o problema é lidar com suas peripécias. E a jornada em busca da libertação de Doug vai render uma sucessão de fatos tão absurdos quanto nos filmes anteriores. Algumas sequências, como a cena em que Alan conhece sua alma gêmea Cassie, interpretada por Melissa McCarthy (Uma Ladra Sem Limites), ou a que invadem o terraço do Ceasar´s Palace em Vegas são especialmente engraçadas. Outras, nem tanto.

Depondo a seu favor, Se Beber, Não Case! Parte III ainda guarda uma trilha sonora de bom gosto, repleta de hits, trazendo para a narrativa um caráter descolado e nostálgico. A inserção da canção de conotação diabólica N.I.B, da banda Black Sabbath, talvez seja um dos momentos "altos" do filme, pois combina perfeitamente com o caos herético encontrado na suíte de Vegas que vai impulsionar o desfecho do filme. Declarando contra, a sensação crescente de uma fórmula exaurida, sem fôlego para sustentar uma obra de cem minutos. A favor, Zach Galifianakis e Ken Jeong ainda demonstram uma excelente química em cena, deles são as melhores tiradas. Novamente contra, a ausência de uma noitada a ser relembrada, reconstruída, como nos anteriores, faz o filme perder boa parte da aura misteriosa de outrora. Tanto o personagem de Ed Helms, Stu, quanto o de Bradley Cooper, Phil, se encontram esvaziados, fazendo cara de bobo toda hora. A favor, a cena pós-créditos finais é hilária. Contra, o epílogo é sofrível. Nessa de pensar nos prós e contras, para se apreciar essa Parte III sem grandes complicações, recomendo ir com um bocado de boa vontade. Abstrair. Somente assim será capaz de se divertir.




Ficha Técnica:
Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover Part III).
Direção: Todd Phillips.
Roteiro: Todd Phillips, Craig Mazin.
País: EUA.
Ano: 2013.
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zack Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, John Goodman, Melissa McCarthy, Heather Graham, Mike Epps.

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