Resenha de Filme: Histórias Que Só Existem Quando Lembradas

10 de abril de 2013 2 Comente Aqui!



HISTÓRIAS QUE SÓ EXISTEM QUANDO LEMBRADAS - Descobri "Histórias Que Só Existem Quando Lembradas", na base do acaso.....do sem querer, diria que foi o destino que me ajudou. Pena que o filme não caiu, como merecia, no colo da mídia, pois vi pouco espaço para a produção, que, obviamente, passou quase como um furacão nos cinemas, de tão rápido. A diretora Júlia Murat (estreante) faz um trabalho primoroso, enxuto, poético, simples, sensível e emotivo. Não pensem que estou sendo muito "paciente" e dando elogios indevidos. Estou apenas sendo sincero e realista em minha análise pessoal.

Dentre todos os elogios que a produção merece o que mais valorizo foi o trabalho de fotografia de Lucio Bonelli. Cada quadro projetado na tela, é um retrato que poderia estar em nossa parede da sala de estar. Cada segundo de fotografia é uma poesia em imagens feito como poucas vezes assisti no cinema nacional. Li alguns comentários que não elogiam tanto a fotografia do filme. INJUSTIÇA. Em diversos momentos o trabalho fotográfico lembrou "Barry Lyndon" de Stanley Kubrick. Combinação adequada e intocável de momentos profissionais com instantes quase artesanais. Cada imagem reflete um sentimento, um vazio, um momento, um olhar, uma dor, uma esperança ou uma emoção. Cada quadro é único, pensado com carinho e refletido com sentimento e poesia.

"Histórias Que Só Existem Quando Lembradas", infelizmente, não é para todos os gostos. A obra possui um ritmo, apropriadamente, lento. Uma obra sem conotação comum. Poucos diálogos, porém, consistentes e com força, como a arte, diversas vezes, deve ser. Exibido no Festival de Veneza e no Festival do Rio em 2011, a trama trata de assuntos sérios como solidão e abandono a partir de uma perspectiva inusitada e sensível.

Não posso deixar de dar parabéns também ao ótimo trabalho do elenco, com enorme destaque para Sônia Guedes e Lisa E. Fávaro.

Meu único ponto negativo é a trilha sonora, quase perfeita, que escorrega ao introduzir música estrangeira, num clima, a meu ver, totalmente brasileiro. Porém, nada que diminua a força poética de uma História Que Merece Ser Vista Sempre e Ser Sempre Lembrada.

Sinopse - Jotuomba fica localizada no Vale do Paraíba, no estado do Rio de Janeiro. Nos anos 30 as até então ricas fazendas de café foram à falência, derrubando a economia local. Madalena (Sônia Guedes), uma velha padeira, continua vivendo na cidade. Ela é muito ligada à memória de seu marido morto, que está enterrado no único cemitério local, hoje trancado. Sua vida começa a mudar quando Rita (Lisa E. Fávaro), uma jovem fotógrafa, chega na cidade.


Trailer do Filme:


FICHA TÉCNICA
Diretor: Júlia Murat
Elenco: Sonia Guedes, Lisa E. Fávero, Luiz Serra, Ricardo Merkin, Antônio dos Santos, Nelson Justiniano, Maria Aparecida Campos, Manoelina dos Santos, Evanilde Souza, Julião Rosa, Elias dos Santos, Pedro Igreja
Produção: Lucia Murat, Julia Murat, Christian Boudier, Julia Solomonoff, Felicitas Raffo, Juliette Lepoutre, Marie-Pierre Macia
Roteiro: Julia Murat, Maria Clara Escobar, Felipe Sholl
Fotografia: Lucio Bonelli
Trilha Sonora: Lucas Marcier
Duração: 98 min.
Ano: 2011
País: Brasil, Argentina, França
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Vitrine Filmes
Estúdio: MPM Film / Alberto Salvá Produções Artísticas / Cepa Audiovisual
Classificação: 12 anos

2 Comente Aqui! :

  • Anônimo disse...

    Ótima dica para fugir do trivial.Nao sei o porquê, mas a cena do trem me faz lembrar do Na natureza selvagem.

    NJA.

  • Jose Carlos Oliveira disse...

    Excelente longa. Me remete ao um passado não tão distante, de pequenas cidades paulistas. Abandonada com a desativação da linha férrea e a extinção do café. Confesso também que, fiquei apaixonado pelas atuações de Lisa Favero e Sonia Guedes.
    lindo e recomendo.

 
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