Resenha de Filme: Os Miseráveis (Les Misérables)

19 de janeiro de 2013 8 Comente Aqui!

Os Miseráveis é a adaptação cinematográfica de um famoso musical, baseado na obra homônima de Victor Hugo. Na Trama, após longos dezenove anos, Jean Valjean enfim consegue a liberdade condicional que tanto almeja. Ele foi preso por ter roubado um pedaço de pão para salvar o sobrinho, que estava a beira da morte e, depois de solto, a miséria lhe fez roubar novamente. Desta vez ele furtou um bispo que lhe deu abrigo num momento de necessidade. Achando que seria novamente condenado Valjean é perdoado e assim decide mudar de vida. Anos depois, já com outro nome e dono de seu próprio negócio, ele se reencontra com o policial que tanto odiava e involuntariamente causou a demissão de uma funcionária, que era mãe solteira e trabalhava para enviar dinheiro para um casal que tomava conta de sua filha. Com a demissão Fantine cai na desgraça e precisa se prostituir para cuidar da menina, que estava doente. Valjean sem entender o mau que havia causado promete ajudar a moça, mas não pode deixar de se esconder de Jarvet. 

O começo do filme é muito empolgante e o espectador percorre muito bem a trama de redenção de Jean Valjean e Fantine. Neste momento os personagens são bens construídos e conseguem manter um laço mais estreito com quem os assiste.  O problema da película é que ela se torna cansativa com o passar do tempo e possui um segundo ato muito pouco convincente. Dois pontos podem ser apontados como causadores deste problema, sendo o primeiro deles o fato do excesso de falas cantadas e o segundo o foco deixar de ser em Hugh Jackman e Anne Hathaway e passar a Amanda Seyfried e Eddie Redmayne, que possuem uma voz agradável, mas que não possuem o mesmo carisma e fazem parte de um momento, digamos, apressado da produção. O romance é mal elaborado, as motivações para a revolução não empolgam e tudo ocorre mais rápido do que deveria. Fica a sensação de que o diretor se perdeu um pouco na montagem e edição da obra. 

Tom Hooper tomou uma medida muito corajosa ao decidir que mais de noventa por cento das falas seriam por meio de canções. Outro ato de coragem foi o de filmar os atores ao vivo e evitar estúdios para correções de vozes. Há então um meio termo em seu trabalho de direção, pois a falta de falas convencionais torna a produção por muitas vezes cansativa. Os momentos de ação ganham muito vigor com as músicas, mas aqueles menos importantes acabam pendendo para o lado da chatice. O fato de evitar estúdios para a gravação das vozes permitiu aos atores oferecem uma maior carga de emoção e a cena que comprova essa afirmação é o momento em que Anne Hathaway canta a música: I dreamed a dream.  O momento é tão memorável, que está garantindo vários prêmios a atriz, incluindo o Globo de Ouro 2013 e o Critics Choice Awards de Melhor Atriz de Musical ou comédia. 

O ponto técnico mais apreciável da obra é a sua direção de arte e me arrisco a dizer que seja o um grande candidato para a premiação do Oscar. A fotografia apresenta belos momentos, mas não chega a ser excepcional. O figurino e maquiagem também são muito bem trabalhados. Quando falamos em atuação temos um grande trabalho feito, e já mencionado, pela dupla principal e um trabalho abaixo da média do casal da trama. Russell Crowe aparece como aquele que possui menor capacidade de atuar em um musical, mas ainda assim se mantém coerente na linha do agente da lei Jarvet. Em paralelo, a trama principal, temos bons momentos com Helena Boham Carter e Sacha Baron Cohen, que servem para animar um pouco uma história de muita tristeza e aprendizado. 

Os Miseráveis então se torna uma produção que tinha muito mais potencial do que aquilo que foi apresentado. Na verdade tenho comigo a sensação de que fizeram uma adaptação teatral, pois é este o sentimento que o longa transmiti. Que estamos vendo a filmagem de uma peça de teatro. O filme possui um excelente trabalho técnico, porém apresenta um roteiro raso e por algumas vezes apressado. O ponto mais positivo parte pelo trabalho de seus atores principais: Hugh Jackman e Anne Hathaway.Tom Hooper, que ficou estigmatizado por ganhar o Oscar com um filme bem feito e "corretinho", O Discurso do Rei, terminou querendo arriscar e apresentou uma produção acima da média, mas muito aquém da expectativa que gerou.


Trailer do Filme:

8 Comente Aqui! :

  • Wendell M. Alves da Costa disse...

    Parece ser um grande musical, mas um filme visivelmente quadradinho, em razão da direção do Hooper.
    O diretor não explora os personagens, os acontecimentos. Não sinto tanto pavor e emoção quanto os personagens deveriam sentir, assim como na obra original.

    abraços Tiago.

  • ♥Hah Nagay♥ disse...

    voce ja leu o livro? se leu,vai perceber que ele é basicamente oque o filme mostra,inclusive a falta de destaque no segundo ato de jean e fantine (que morre no livro) e passa para sua filha Cosette e seu amor Marius. Os thenardier's nao sao divertidos sao crueis, vis, e enganadores. A guerra nao possuem motivação pois no proprio livro ela ja estava acontecendo.Se for fazer uma critica,leia todos os meios ou ofendera fãs de longa do livro como eu.

  • Tiago Britto disse...

    ♥Hah Nagay♥, de fato não li o livro, porém as mais diversas formas de expressão exigem situações diferentes. Da forma que foi adaptada no teatro talvez funcionasse melhor, ou até mesmo o livro, porém em cinema não me animou.

    Talvez eu possa não gostar do livro, já que os problemas que não me encantaram o filme são os mesmos.

    Essa é a graça... Opiniões diferentes e repeito mútuo.

  • Anônimo disse...

    Não leu o livro, não comente sobre a história/roteiro fica a dica, qualquer um que leu vê o quanto seus argumentos são podres.

  • Tiago Britto disse...

    Não estou comentando o livro e sim o filme. Se a história do livro é identica não sei, mas o desenvolvimento deve ter sido melhor. Afinal é um clássico.

    Como filme não me empolgou.

    Abs

  • Charlie disse...

    Gostei da crítica, depois de assistir o filme fiquei com a mesma sensação. E discordo dos comentários acima. Ninguém é obrigado a ler a obra original pra entender a adaptação, são duas formas completamente diferentes de expressão da arte e em nenhum momento a adaptação cinematográfica tem de corresponder em 100% ao material original. Algumas coisas funcionam perfeitamente nos livros, mas não ficam bem na tela, e vice e versa. Pode ser que o diretor tenha pecado nesse ponto, mas no geral, é um filme muito bom.

  • Contemporaneidades Prosísticas disse...

    Apesar de uma adaptação, não pode haver dependêcia do livro para o longa existir!
    Realmente foi arriscado usar de todas as frases uma melodia, porém esse talvez seja o grande diferencial do filme em meio as novas Ofertas Cinematográficas.

    Gostei muito, achei apenas que faltou uma "linha" que costurasse e amarrasse a história, e nao largassem frames lindos sem por que e sem pra que.

    Muito longo, porém nao há o que "podar" na montagem...
    E NAO HÁ COMO NEGAR que as vozes são belíssimas e os atores extremamente bem aproveitados e preparados para atuar num longa- musicado.
    Vale a pena assistir, e até mais de uma vez, para perceber que o filme é muito rico e muito belo.

 
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