Crítica: O Espetacular Homem-Aranha (2012)

3 de julho de 2012 11 Comente Aqui!

Quando começou a ser ventilado um reboot do super-herói Homem Aranha para o cinema, não foram poucos que torceram o nariz. Afinal, não faz tanto tempo assim que o cultuado diretor Sam Raimi emplacou sua trilogia. Entre trancos e barrancos, seus trabalhos tiveram o hype merecido e aumentou a legião de fãs do aracnídeo e amigo número um da vizinhança. Particularmente, não sou um grande entusiasta do Aranha de Raimi, apesar de respeitar bastante o primeiro. Sempre achei a mitologia do personagem atropelada, sem respeitar muito a sua cronologia, mesmo caracterizando o personagem de forma competente, mas o que realmente me incomodava, eram as tramas pouco inspiradas. Apesar de acompanhar o cabeça de teia desde sempre, não sou um “purista dos quadrinhos”. Até porque acredito no cinema como uma mídia muito diferenciada das HQs, o que funciona em uma, não necessariamente funcionará na outra. Não é uma verdade minha, é um fato, exemplos (bons e ruins) não faltam.

Como O Espetacular Homem Aranha é visto com um olhar de desconfiança e má vontade, é bem possível que o espectador se surpreenda positivamente, como esse que vos escreve foi. Claro que o filme não carrega nada de novo, mas me aponte um filme de super herói ou mesmo de aventura que exceda em novidades? Desculpem-me, mas esse argumento como crítica negativa não convence. O filme, do então novato, diretor americano Marc Webb (esse é seu segundo trabalho na direção de longas, o primeiro é o simpático 500 Dias com Ela) ganha o público pela sinceridade dos personagens. Sim, apesar de impulsionado por uma narrativa clássica, com atos distintos e efeitos especiais de ponta, O Espetacular Homem Aranha é um filme que não deixa de tratar seus personagens com muito carinho. E esse olhar aproximado, nos faz íntimos de Peter Parker (Andrew Garfield) tanto quanto da sua maior paixão, Gwen Stacy (a lindíssima Emma Stone). Assim como também nos faz entender o que motiva Tio Ben (Martin Sheen) e a Tia May (Sally Field). A preocupação entre os personagens é mais evidente, mais perceptível. Nessa obra, além da idolatria por um super-herói errante (e até obscuro), a ação divide as atenções com aspectos de ordem triviais, como o envolvimento entre o casal principal, rendendo um romantismo cheio de carisma.

O crédito final do roteiro é atribuído a James Vanderbilt (entre seus trabalhos mais famosos está Zodíaco de David Fincher e atualmente está envolvido com o Robocop de José Padilha), mas parece que o texto desse Homem Aranha recebeu diversos tratamentos antes de chegar ao seu definitivo. Para os inteirados com HQs, logo se identifica traços de um dos arcos de histórias do Aranha mais aplaudido e queridos. A titulo de curiosidade, no Brasil, elas foram publicada na saudosa revista Teia do Aranha e situavam o personagem na sua juventude, em um envolvimento forte com a família Stacy, tanto com Gwen, quanto com o pai dela, o Capitão da policia de NY, George (no filme, Denis Leary). Essa seqüência culminou em uma das mais famosas histórias e ainda considerada a que definiu verdadeiramente o caráter do Homem Aranha. Não vou citar o nome dela aqui, porque é um imenso spoiler do filme em questão. A trama começa com os pais de Peter fugindo e deixando-o ainda criança com os citados tios. Não há muita explicação, mas sabemos que existe um mistério envolvendo estudos científicos. Pulam-se alguns anos e vemos Parker em sua aurora nerd adolescente, apesar do personagem, nessa versão, ganhar toda uma roupagem cool, com direito a visual alternativo/desleixado e um constante skate embaixo de seus pés.  

Longe de esse novo Peter Parker ter virado apenas um freak, sua genialidade cientifica é latejante e seu dom para fotografias também está presente. Justiça seja feita, o Parker de Garfield é muito mais próximo dos quadrinhos. O ator, apesar de inicialmente parecer um pouco velho para o papel, capta com eficácia essas nuances de um Parker adolescente, que apesar de melancólico, consegue encobrir suas fraquezas com tiradas bem-humoradas, além da evidente inexperiência com o oficio, criando algumas trapalhadas, que não deixam de cair muito bem como um alivio cômico. A transformação de Parker em Aranha, talvez, seja o que mais vai incomodar nessa versão. Apesar dessa “origem” remodelada não ter me aborrecido nem um pouco e até achei consistente a forma como foi conduzida. Não afeta a trama nem um pouco e torna esse seu nascimento muito mais importante. Também existiu um arco de historias reestruturando essas origens do aracnídeo. Então, não deixa de subsistir uma hibridização de temáticas no roteiro, mas que não é falha e funciona a favor do personagem e da trama. Como outros eventos importantes são linkados a esse especifico acontecimento, os seus desfechos tornam-se mais interessantes e o Aranha deixa de ser “apenas um jovem picado por uma aranha radioativa”.

O antagonista do nosso herói em O Espetacular Homem Aranha é o Lagarto, a metade monstro do renomado e respeitado Dr. Connors. Interpretado (e bem) pelo ator inglês Rhys Ifans, que se despe de sua mais conhecida vertente cômica e entrega um vilão caricato, mas eficiente. Connors é desenvolvido de maneira correta, sem ufanias hiperbólicas, trazendo motivações reais e consistentes, que inicialmente não sejam apenas dominar o mundo. Alias, as boas historias do Aranha sempre foram mais mundanas, com personagens conflitantes, enlouquecidos por suas obsessões. E aqui, não é diferente, a ânsia de Connors vai impulsionar seus desejos mais íntimos, mesmo que para isso ele tenha que se transformar em uma criatura abominável. Existe um evidente background criminoso, ainda que velado, por trás de Connors, afinal, ele é um cientista da Lexcorp e a todo hora o nome de seu proprietário, o mega empresário Norman Osborn é citado (sabemos muito bem de quem Osborn é alter ego, nê?). O que não deixa de ser um gancho formado para uma continuação, já com data marcada para 2014. Enfim, Tobey Maguire já tava ficando velhinho para mais um Homem Aranha e Raimi acomodado ou aborrecido. Mais cedo ou mais tarde, o aracnídeo mais querido do mundo teria que voltar a telona. E digo sem medo, que de maneira empolgante e sensata, adaptando e usando suas licenças, mas sendo fiel e dando o devido respeito ao personagem. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades, parece que o diretor Marc Webb entendeu muito bem isso.


11 Comente Aqui! :

  • Anônimo disse...

    Parabéns pela crítica viu eu estou muito ansioso pelo filme tow contando as horas a última linha do seu texto me arrepiou inteiro!!! vlw

  • Anônimo disse...

    AFFFFFF... ninguem aguenta mais uma série de filmes recontando a origem dos heróis não, isso é um saco, fica 80% do filme só enchendo linguiça... Muito fraco isso, não pago R$1,00 pra assistir essa bosta

  • renatocinema disse...

    Amigo......discordo.

    Fui assistir ao filme e achei pior do que imaginei.
    Não citar Mary Jane é falha grave, na minha visão.

    O jornal e o seu editor, tão relevantes, nos quadrinhos, não serem mencionados também foi falha.

    Até a cena do pós letreiro achei fraca.

    Mas, isso é meu gosto. Ainda bem que na arte todos podem opinião própria.

    Abraços

  • Celo Silva disse...

    Renato, veja bem, tanto Mary Jane quanto o Jamenson aparecem somente depois dos anos de PArker no colegial. O filme segue certinho a cronologia do personagem. Certamente eles estarão na continuação.O filme é bem sensato nas suas escolhas e acredito que as pessoas, dessa vez, estão criticando por ser fiel aos hqs. Enfim, como vc disse, é importante ter opinião própria, mas a sua sempre será bem vinda. Grande Abraço.

  • Rodrigo Mendes disse...

    Até me assustei com o resultado! Também achei bom, eficiente e diferente dos outros, não devendo nada a obra de Sam Raimi. O estúdio tomou as decisões corretas, é um bom programa, apenas e não chega a ser uma obra-prima como o Batman do Nolan. Garfield ficou cool no papel.

    Abs.

  • Renata Freire disse...

    Eu sinceramente, assisti e não gostei nenhum pouco. Detestei o homem aranha que eles criaram, ele superava perdas muito grandes cm a maior facilidade, e parecia coisa desenho animado, pois acho que esse tipo de filme não é mais destinado para as crianças. E o vilão não era de fato um vilão de ter medo, como a maioria dos filmes de super-herois os vilões apenas são feios e esquisitos, e cm planos terriveis mas não acontece nada de aterrorizante, ele apanha no final do filme e pronto. Nesse do homem aranha a unica coisa terrivel que ele fez foi ter matado aquele policial e só.
    Por isso que pra mim o melhor vilão das histórias do Homem Aranha no cinema foi o Duende-Verde.
    Desculpem meu erro de portugues :)

 
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