Crítica de Filme: Além da Liberdade (The Lady)

31 de julho de 2012 4 Comente Aqui!
Faz tempo que o cineasta Luc Besson deixou de aspirar às grandes produções, seu último projeto “mainstrean” foi Joana d´Arc, no cada vez mais distante ano de 1999. Um trabalho que considero, no mínimo, um bom entretenimento, mas que ganhou ferrenhas e inflamadas críticas negativas na época de seu lançamento. Parece que o envolvimento com o esquema dos grandes estúdios aborreceu Besson (ou então acomodou ou desgastou, não sei...), porque na década seguinte, o sujeito dedicou-se apenas a dirigir filmes despretensiosos (como a serie animada Arthur e os Minimoys) e exercitar cada vez mais seu lado produtor em obras que pudessem arrecadar alguns trocados nas bilheterias.

Vale lembrar que o hoje pouco conhecido diretor, realizou filmes que chegam bem perto de serem chamados de obras-primas, principalmente Imensidão Azul de 1988 e O Profissional de 1994. O mega sucesso comercial que foi O Quinto Elemento de 1997 chegou a elevar Besson ao patamar de um dos diretores mais confiáveis do final dos anos 90, isso não é pouco. Podem até existir exageros sobre o talento de Luc Besson, mas seus melhores trabalhos não foram simplesmente sorte.

Com Além da Liberdade, sua mais recente incursão cinematográfica, Luc Besson volta a apostar em um cinema mais sério, até por tratar de fatos reais e relevantes da recente história mundial. O filme acompanha a trajetória da ganhadora do Nobel da Paz, a birmanesa Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh). Ela lutou pacificamente pela democracia em uma Birmânia tomada por um regime militar e para isso, chegou a passar quinze solitários anos em prisão domiciliar. O filme foge do trato documental que algumas produções biográficas vêm ganhando e aposta em uma narrativa tradicional que consegue envolver o espectador com certa eficiência.

A trama tanto tende a humanizar a personagem, contando como ela abdicou de sua vida pessoal em prol do desenvolvimento político de seu combalido país, quanto também traz para Suu características de uma heroína clássica, nos remetendo até a própria já citada Joana d´Arc. O diretor não se furta a evidenciar esse heroísmo, criando algumas seqüências que funcionam apenas para afirmar a personagem como uma possível lenda moderna. Enquanto vamos acompanhando o envolvimento dela nos problemas birmaneses, muitas vezes mostrando a violência a qual o povo era infringido, a narrativa também entrecorta com passagens de sua vida familiar, na qual conhecemos seu compreensivo marido inglês, o professor de Oxford Michael Aris (David Thewlis), e seus filhos que vão crescendo sem a presença materna.

Se realmente os fatos aconteceram da maneira como são mostrados, é mais do que louvável contar o que essa mulher fez: teve força para enfrentar todo um regime totalitário, unificou um povo dividido por etnias locais e não retrocedeu quando a pressionaram de todas as maneiras possíveis para que abandonasse o país. Sua determinação é inspiradora e a sua história edifica a nobreza que pode residir em um ser humano. No entanto, se deixarmos de lado esses aspectos de importância histórica e pensarmos em Além da Liberdade apenas como uma realização cinematográfica, não será difícil afirmar que ainda não foi dessa vez que Besson voltou a apresentar uma obra realmente brilhante. O filme é legal, entretém com alguma qualidade, também existe uma fotografia vistosa e uma trilha sonora agradável, mas não vai muito além disso.

O tom extremamente episódico atrapalha um envolvimento maior com a obra, ainda a faz soar distanciada e pouco emocionante. Mesmo em quase duas horas e meia de projeção, parece faltar tempo para desenvolver algumas problemáticas da história e da protagonista. Os acontecimentos retratados (até os principais) soam ligeiros, corriqueiros, para não dizer afobados. Para melhor elucidar, vale citar uma cena que retrata bem isso: Suu chama um dos soldados que a mantém em reclusão e lê para ele uma das frases motivacionais que escreveu e pendurou na parede. Naquele momento, é como se toda uma mentalidade enraizada há tempos se dissolvesse como por milagre. Entendo como um simbolismo que Luc Besson cria para o filme, mas sinceramente, não é tão forte como o diretor imaginou e me pareceu apenas preguiça em delinear a cena com um pouco mais profundidade. 








4 Comente Aqui! :

  • Rodrigo Mendes disse...

    Preciso conferir este filme Celo.
    Gosto muito dos filmes do Besson, inclusive o subestimado Joana d´Arc, que foi mesmo uma superprodução de tirar o fôlego. Até mesmo a canastrona da Milla Jovovich estava radiante.

    Considero "Imensidão Azul" e "O Profissional" obras-primas, porque não? E "O Quinto Elemento" é muito divertido, um tipo de programa que Steven Spielberg não faria diferente. Tem apenas algumas peças sobressalentes como "Subway" que nunca apreciei, mas poxa, tem "Nikita" e "Angel-A" para compensar. Acho corajoso a incursão dele como produtor e nos últimos anos provou que a França também é capaz de produzir filmes de ação como os americanos e de qualidade igualada.

    Também adoro a Michelle Yeoh! Uma verdadeira dama.

    Abs.

  • Sintia Piol disse...

    Tanto o diretor quando o tema não me seduzem. Mas caso tenha alguma oportunidade de vê-lo tentarei chegar até o final, apesar de ter quase certeza que acharei o filme chatinho...

  • Maxwell Soares disse...

    Olá, Celo. Fico imaginando, irmão, como você consegue dividir seus espaço com tanta maestria. Este filme, ainda, não vi. No entanto, o contexto histórico desse tipo de longa, sempre, desperta em mim um interesse. O fato de Luc Besson não ser tão forte como diretor, como você mesmo diz,irei assim tentar conferí-lo. Nunca vi um filme dele, Celo. Tentarei encontrar um espaço para este. Um abraço, irmão. Até...

 
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