Crítica: Poder Sem Limites (Chronicle)

13 de março de 2012 4 Comente Aqui!

O estilo “falso documentário” praticamente se firmou como um gênero dentro do cinema. Com freqüência novas obras são lançadas. Verdade que divide opiniões, alguns acham chato, desprovido de qualidades cinematográficas; outros acham super válido para conceber filmes que tenham orçamento limitado, podendo até causar um diferencial na abordagem. Poder Sem Limites é desses que se vale do estilo com propriedade. Trazendo o diferencial já citado para um outro estilo de filmes que também já se firmou como gênero: os de super-heróis. O cada vez mais distante Bruxa de Blair normalmente é citado como o melhor “mockumentary”, mas sem medo, ouso dizer que Poder Sem Limites é o que mais bem aproveita todas as nuances. Empreendendo emoção, aventura, comicidade, drama e claro, boas cenas de ação, mesmo com um modesto orçamento para os padrões hollywoodianos.

Uma das situações que às vezes atrapalha certas produções que contam histórias de heróis são se preocupar demasiadamente com a origem dos mesmos, às vezes, rendendo um filme apenas para contar isso. De cara, Poder Sem Limites encurta essa parte, até porque a seqüência de quando os três jovens ganham seus poderes é limitada pelo próprio estilo. O expediente do “falso documentário” não trás obrigações narrativas clássicas. A câmera caindo da mão de um dos protagonistas se torna uma boa desculpa para pular explicações e ainda rende interrogações distintas na cabeça do espectador. Como tudo aconteceu? Foi o governo ou algo alienígena? Claro que isso também pode irritar outra parte do público, principalmente um acostumado a superproduções didáticas. Na sala em que conferi o filme, um grupo atrás reclamava ou fazia piadas a todo o momento sobre o surrealismo de algumas cenas. Aliás, encarar um “falso documentário” como algo que preze por ser realístico é uma grande bobagem. O próprio estilo pode e deve ser tão ficcional como qualquer outro.

A trama de Poder Sem Limites é menor, intimista até, e que mesmo se dispondo a discorrer boa parte sobre a evolução dos poderes dos garotos, ainda assim preza por delinear a personalidade de seus personagens principais. Seja com o tímido rapaz que sofre com a doença terminal da mãe e as violências que o pai lhe infringe ou seu primo, um jovem que passaria facilmente despercebido, mas que depois de ganhar seus dons, aumenta a auto-estima e passa a se achar mais legal do que era. Ainda temos o típico atleta, no topo da cadeia social estudantil, que somente percebe vida fora do seu limitado convívio quando se depara com os fantásticos poderes que lhe foram acometidos. Uma das outra vantagens que pode cair bem em um mockumentary é a utilização de um elenco praticamente desconhecido, o que tira a obrigação de grandes atuações, deixando uma realização como essa livre para ousar. Assim, concebendo uma obra que pouco se espera, mas que tem todas as qualidades para surpreender.

Definitivamente, o apelo psicológico e emocional é o que se destaca mais em Poder Sem Limites, o que rendeu comparações com a obra-prima de Katsuhiro Otomo, o cultuado Akira. Porém, é fato que ainda assim, apostando em algo mais “cerebral” para uma realização que deveria ser voltada para um público jovem e despretensioso, o diretor novato Josh Trank não deixa de nos brindar com 30 minutos finais que são de tirar o fôlego. São seqüências que devem causar inveja a diretores de produções mais monetizadas, que mesmo com toda uma parafernália tecnológica, acabam ainda assim por produzir obras um tanto enfadonhas. Poder Sem Limites deve ser visto sem preconceitos, talvez criado por outras obras parecidas que não tiveram a mesma qualidade. Porque assim como qualquer gênero, existem os bons filmes e os ruins, e decididamente esse em questão se enquadra fácil nos que devem receber a devida atenção.


Trailer do Filme:

4 Comente Aqui! :

  • Nicholas Levendakos disse...

    Desculpe Celo, mas eu fiz parte dos que acharam o filme muito ruim. Não pelos motivos citados mas por algumas incoerências, como só um abestalhado vai roubar um posto e leva uma câmera para servir como prova contra ele, mas tudo bem. achei a idéia do filme até legal mas a forma que ele se desenvolve, até pelo estilo imposto pelo filme, achei que poderia ser muito melhor.

  • Celo Silva disse...

    Nicholas, entendo perfeitamente. Acredito que esse deva ser um filme que divide opiniões. O rapaz leva consigo a camêra o tempo todo, qd ele vai assaltar, ele já está meio doido, fez parte da caracterização. Existem momentos surreais mesmo, mas acho q todos eles fazem parte do estilo do filme. Acho também que PODER SEM LIMITES é um dos bons momentos do "falso documentário" e tem feito seu sucesso, tanto que uma continuação já está confirmada. Obrigado pela visita e pelo comentário, foi bem pertinente. Abração!

  • Nicholas Levendakos disse...

    Olha Celo, pelas partes surreais não achei ruim. Acho que não gostei por entrar na sala do cinema esperando um filme de super heróis e não um "falso documentário". Este estilo por mais sucesso que seja, e por uma das poucas alternativa a um baixo budjet, não me agrada. Obrigado pela resposta, e também entendo o outro lado da moeda. Sempre que der vou dar uma passadinha aqui, estou devendo isso pra Silvano e Britto que ficavam no meu pé desde o inicio ou até antes. Abraço.

  • Tiago Britto disse...

    Gostei e muito do filme. Adoro quando vejo coisas diferentes no cinema e a construção dos personagens eu achei muito interessante. O fato de não perder tempo explicando demais é realmente algo válido e uma ótima jogada da direção.

    Quanto ao lance dos comentários...Para ele pouco importava se alguém ia ver alguma coisa...quando ele vai roubar o posto primeiro que ele ta fantasiado e segundo que ele já se acha um ser superior...então acho que ele ligou um FODA-SE

 
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