Crítica do Filme: O Pacto (Seeking Justice)

14 de março de 2012 4 Comente Aqui!

Preciso confessar uma coisa a vocês... Estou cansado de vir aqui falar mal de Nicolas Cage. Não adianta dizer que ele é um bom ator, que está escolhendo mal seus filmes e que isto pode ser reflexo de suas dívidas junto à receita federal. Não adianta, pois isto já pôde ser lido diversas vezes em, praticamente, todas as críticas, de seus últimos trabalhos, que circulam na internet. Assisti Fúria Sobre rodas no ano passado e desisti de fazer um texto para o Cinema Detalhado exatamente pra não ter que começar com essa mesma ladainha na introdução.

Me deixa triste ver um talento desperdiçado e faço de tudo para que não confiram este lado obscuro de sua carreira. Esta semana estive em uma locadora quando um cliente pegou Reféns e perguntou ao atendente o que ele achava da produção: “Senhor, Nicolas Cage e Nicole Kidman, que grande filme, aluga ele” – foi a resposta que obteve. Nessa hora me subiu um sentimento de repulsa, tive que me meter e dizer que este era um dos piores filmes de 2011 e que ou o atendente era muito sem vergonha ou não tinha assistido a produção e era mais um iludido. O que mais me indignou foi a reposta que obtive, achei que ouviria um sonoro “Obrigado”, mas não... Ouvi mesmo foi: “Tá maluco? Impossível, Nicolas Cage é o cara, só faz filme bom, você assistiu Perigo em Bangkok?” – Foi quando joguei a toalha e me lembrei de que este ainda era o ator que mais gente leva ao cinema. Às vezes não é só ele que anda acomodado, mas o público que o segue também.

Em seu novo trabalho ele interpreta Will Gerard, um professor de inglês casado e com uma vida pacata e tranquila, que se reveza entre as apresentações de sua esposa Laura, que é música, e seus desafios de Xadrez com o melhor amigo. A vida deles começa a mudar de rumo, e a ganhar um pouco de adrenalina, quando Laura é atacada e estuprada. Ainda no hospital e cheio de raiva, Will recebe uma proposta no mínimo inusitada de um estranho, que propõe dar um jeito no responsável em troca de um pequeno favor no futuro. Com o pacto selado a vida tranquila dele não será mais a mesma.

A premissa da produção é interessante e nas mãos de um grande diretor poderia ter dado muito certo. O assunto é dos que muito nos questionamos quando falamos em direitos humanos para presidiários, assassinos e toda a corja marginalizada. Seria justo fazer Justiça com as próprias mãos? Com certeza tinham canja para uma sopa, mas o roteirista Robert Tannen preferiu dar prioridade a uma suposta ação e esqueceu-se de desenvolver argumentos capazes de proporcionar que as ações e intenções fugissem do superficial.

O experiente diretor Roger Donaldson demonstra grande habilidade no desenvolvimento da trama ao impor um ritmo rápido e empolgando em seu inicio. Chegou a parecer que seria algo bom, mas acredito que a intenção era mesmo a de nos empolgar a ponto de não ficarmos mais desapontados com o seu trágico desfecho e contínuas falhas de roteiro. Foi uma tentativa, que com quem sempre procura algo mais, não funcionou e não funcionará. Me senti mais burro depois de ver a produção, pois ela me tratou como tal. Até agora quero saber como, em poucas horas do acontecido, essa tal organização já sabia quem era o estuprador? – Essa não é a única pergunta que ficar no ar...

As atuações também não possuem muito espaço para se destacarem. Cage como sempre fazendo um trabalho bom, mas em seu campo de comodidade, January Jones praticamente uma nula na trama e Harold Perrineau e Jennifer Carpenter dois protagonistas que nem fedem e nem cheiram. O único que ainda consegue algum destaque é Guy Pearce, mas nada de encher os olhos.

Ao ritmo de uma trilha bem modesta e nem um pouco inovadora posso dizer tranquilamente que esta ainda não foi a ressurreição do astro que vimos em O Senhor das Armas e sim a continuidade da falta de vergonha alheia do fracassado de Caça às Bruxas. Não indico, mas não vou poder meu tempo falando isso para alguém pessoalmente, pois tenho medo, muito medo, da resposta que poderei ouvir. A primeira fala do filme é: Você está fazendo eu perder o meu tempo? - Se fosse eu me perguntando sobre o longa responderia SIM.


 

 Trailer do Filme:

4 Comente Aqui! :

  • Celo Silva disse...

    hahaah, gostei do texto. É bem verdade, tem muita gente que ama os filmes do Cage, principalmente esses de ação. Eu gosto do ator, não nego, mas parece que ele virou uma especie de Charles Bronson em fim de carreira. Abração!

  • Júlio Pereira disse...

    Pena que Nicolas Cage está virando sinônimo de filme ruim. Recomendo os excepcionais Adaptação, Vício Frenético e Coração Selvagem - de quebra, ainda inicia a filmografia do Lynch em um dos filmes mais contidos dele!

 
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