Crítica: Aqui é o Meu Lugar (This Must be The Place)

11 de março de 2012 3 Comente Aqui!

Com previsão para estréia nos cinemas brasileiros ainda em Maio de 2012, Aqui é o Meu Lugar pode parecer que é um tipo de estréia do diretor italiano Paolo Sorrentino em solo americano. Não que não seja, até pelas locações e por boa parte do elenco ser encabeçada por atores americanos, mas na verdade é uma produção francesa. O que não deixa de ser curioso, ter uma obra francesa, realizada por um diretor italiano, filmada nos EUA, com boa parte do elenco local. O que confirma o quanto o cinema está globalizado, encurtando distancias e não se furtando a contar historias que fiquem restringidas a localidades de seus realizadores.

Aqui é o Meu Lugar tem um tom explicito de paródia, principalmente a um dos gêneros preferidos dos americanos: o road-movie. Porém, o trabalho de Sorrentino não se apega a ser apenas um mero pastiche. Em sua comicidade, principalmente pelas figuras atípicas, o diretor consegue inserir bons momentos dramáticos e outros até reflexivos. A trama acompanha os passos do folclórico ex-astro do rock Cheyenne (Sean Penn). Um sujeito estranho, que parece ter estacionado nos anos em que foi famoso. Seus cabelos desgrenhados, a maquiagem exagerada, os olhos tristes e um andar cambaleante comprova o quanto Cheyenne é deslocado no mundo em que vive. Em um de seus monótonos dias, o homem descobre que o seu pai está em vias de falecer, assim resolve visitá-lo. A partir dessa visita ao moribundo pai, é que Aqui é o Meu Lugar toma seu verdadeiro rumo, pois Cheyenne, descendente de judeus, resolve procurar o carrasco nazista que torturou seu pai durante a 2ª guerra e que vive tranquilamente em solo americano.

Agora, não espere uma obra daquelas investigativas, cheia de correrias. O ritmo dado por Sorrentino é lento, contemplativo, e que vai ganhado o espectador aos poucos. Verdade que se precisa de um pouco de paciência para esperar o filme engrenar. Destaco como momento principal dessa simpatia que a obra angaria na cena em que Cheyenne, de forma explosiva (contrastando com sua permanente serenidade), explica o motivo pelo qual não sente mais vontade de cantar ou mesmo porque vive nessa constante letargia. Como se ele quisesse vencer seus medos e retornar a viver, mas aparentemente não tem forças ou pensa que não tem. Outro fato interessante é perceber que mesmo sendo uma realização que poderia facilmente ser acusada de “americanizada”, o diretor opta por manter certos padrões europeus, como as digressões que fogem da linha narrativa principal, mas que mesmo assim formulam alguns dos melhores momentos. Destaco quando Cheyenne encontra uma garçonete amargurada pelo caminho, que rende uma belíssima seqüência ao som de uma mal interpretada versão da canção que o diretor pegou emprestada para o titulo do filme. Posso até estar errado, mas acredito também que a mala que o roqueiro carrega a todo o momento, sem revelar seu conteúdo, é uma clara homenagem a Godard.

Aqui é o Meu Lugar deve ter seus problemas (os principais talvez residam em alguns pontos mal resolvidos da trama), mas é daqueles filmes que acabamos nos envolvendo mais com as qualidades do que com as imperfeições. Tem um belo trabalho de fotografia, uma encenação em profundidade fantástica, que Sorrentino consegue fazer com excelência, usando o formato anamórfico clássico 2:35. Bons tecnicismos a parte, a atuação de Sean Penn é o verdadeiro destaque da obra. O seu Cheyenne é amplamente inspirado no vocalista Robert Smith da banda The Cure, tanto que em certo momento, se faz uma clara referencia ao citado cantor. Porém, o trabalho de Penn não é totalmente caricatural, seu personagem tem alma própria. Dá gosto ver como seu perfil vai se delineando a frente dos nossos olhos. O filme ainda conta com outros bons atores, como Frances McDormand, Judd Hirsch e Harry Dean Stanton. A meu ver, Aqui é o Meu Lugar é um filme que mesmo cômico é emocional, mas se não pegar pela emoção, ainda assim vale conferir essa interpretação de um dos melhores atores da atualidade.



Trailer do Filme:


3 Comente Aqui! :

  • Dani disse...

    Acho que você falou tudo, Sean Penn é um dos maiores atores da atualidade.
    A personalidade que ele constrói para o personagem vai sendo delineada de um jeito muito envolvente. Ele faz do homem um mundo à parte, que vale a pena ser visto.

 
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