Crítica de Livro: Na Natureza Selvagem

1 de fevereiro de 2012 10 Comente Aqui!

Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer
“Em vez de amor, dinheiro, fé, fama, equidade, dê-me a verdade”

“Um minuto da minha pureza, não vale sua vida inteira de mentiras” (Assassinos por Natureza, de Oliver Stone). Essa frase, de certa forma, representa a pureza vivida por Chris McCandless. Ele viveu com tamanha intensidade seu pouco tempo de existência, que supera a maioria das pessoas que falecem comemorando um século de vida.

Quando assisti, 15 anos atrás, ao filme “Uma Janela para o Céu” (baseado na história real de uma jovem que entra em luta de coração escancarado para ser totalmente feliz, após grave acidente que a deixou paralisada do pescoço para baixo) imaginei jamais encontrar uma pessoa que conseguisse representar de forma tão concisa essa interminável perseguição em nome da alegria e do sentido da vida. Ledo engano de um “covarde” que, talvez, ainda não tenha tido coragem suficiente para encarar seus próprios caminhos rumo ao contentamento absoluto e soberano.

“Qual é a maneira mais fácil de desagradar? Tentar agradar a todo mundo.” Essa frase, acreditem se quiser, foi tirada de uma revista da Turma da Mônica e significa tudo o que Chris McCandless não fez. Ele pensou em acarinhar a si mesmo, não aos outros e sua “corja de assassinos” (como diz a canção de Legião Urbana) Depois de terminar a faculdade com brilhantismo, Chris McCandless, jovem americano saudável e de família rica, doa todo o dinheiro que tem, abandona o carro e a maioria de seus pertences, adota outro nome e some na estrada, sem nunca mais dar notícias aos pais. Dois anos depois, aparece morto num lugar inabitado e gélido do Alasca. Quantos de nós possuímos coragem e força para seguir o mesmo caminho rumo ao paraíso individual?

Porém, não se deixem levar pelo acontecimento final e se concentrem, curtindo muito o caminho percorrido pelo corajoso americano. Não pensem que ao comentar que o jovem não está mais entre nós estou estragando a leitura. Isso não acontece. A riqueza está na intensidade da vida que ele teve. É a eterna questão do que vale mais: quantidade ou qualidade?

Por onde andou? O que buscava? Quem era realmente Chris McCandless? Para responder a essas perguntas, o escritor Jon Krakauer refaz a longa saga do aventureiro até seu abatido desenlace. Uma história verdadeira, mas com todos os ingredientes de um romance literário. Não por acaso, virou um ótimo e sensível filme.

O livro é um relato fascinante sobre idealidade, fábula, e também sobre o lado extraordinário da experiência de relação direta do ser humano com a natureza.
Entretanto, se a viagem de Chris, infelizmente, teve um final triste, a viagem que percorremos, quase que ao lado do autor e de McCandless, nos serve como um impulso para nos soltarmos do cativeiro social a que somos submetidos diariamente, seja do ponto de vista profissional, seja pela pressão familiar.

Faço uma sugestão, ousada, ao público. Quando forem conhecer o caminho de McCandless, por meio do livro, escutem a trilha sonora do longa-metragem. Com canções de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, as músicas da obra são simplesmente fascinantes e nos levam ainda mais para dentro dos sonhos e desejos percorridos pelo jovem americano. Duas músicas tocam no meu aparelho diariamente “No Ceiling” e “Society”. Estou sendo sincero e categórico: todo dia escuto as duas músicas.

O livro nos repassa algumas mensagens que merecem muita reflexão:

‎"E também sei como é importante na vida, não necessariamente, ser forte, mas sentir-se forte.”
 “Se admitirmos que a vida humana pode ser regida pela razão, está destruída a possibilidade da vida."
"Se quer algo na vida, vá atrás e pegue."
"A felicidade só é verdadeira quando compartilhada."

Por isso peço, quando terminarem o livro, corram para assistir ao filme baseado na obra. Dirigido por Sean Penn, a produção é outra bela homenagem ao sonhador que desafiou a vida em nome da felicidade.

Contudo, com os restos de Chris McCandless (trecho sublinhado do livro A Vida Nos Bosques, de Henry David Thoreau) é que encontrei as palavras mais sinceras que a sociedade, no mundo de hoje, deve exigir de um “cidadão”: “Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentido fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes.”
Vamos todos refletir sobre isso?

10 Comente Aqui! :

  • Guará Matos disse...

    A apresentação do livro não poderia ser melhor. Assisti o filme "Uma Janela Para o Céu" e é algo estranho, pois o que percebemos normalmente são pessoas com algum problema, se negando a continuar a viver.

    Tentarei ler sua indicação literária, me parece outra grande história.

    Abraços.

  • Jaime disse...

    Texto bem criativo. Gostei das referências, de Oliver Stone, passando por Turma da Mônica e Pearl Jam.

    Abraço!

  • Ro Soares disse...

    fiquei com vontade de ler!!
    Você tem razão poucas pessoas ou quase nenhuma tem coragem de fazer uma viajem como ele fez a abandonando tudo.
    Gostei de suas citações principalmente, Renato Russo e Eddie Vedder adoro!!Parabéns mais uma vez.

  • Ligia de Lara disse...

    Oi Renato... MARAVILHOSO... Agora estou em dúvida...rs compro o livro, assisto o filme ou os 2?
    Muito bom seu texto, expressa realmente alguns pontos que deveríamos refletir na nossa vida diária... e como!!!!
    Grande beijo... e muito sucesso. Torço muito por você.
    Ligia

  • Renata disse...

    Oie...adorei o texto e suas dicas. Fiquei mto interessada em ler tb...em assistir o filme tb.
    Se tiver vc me empresta???rss
    Beijos e parabéns pelos seus textos, comentários, reflexões,enfim tudo que vc tem feito com tanto carinho e dedicação. Muito sucesso da sua imrã que te ama mto...Bjão

  • Gabriel Neves disse...

    Minha lista de livros está um pouco ocupada agora, mas Na Natureza Selvagem é um que eu faço questão de ler. O filme é maravilhoso e imagino que o livro seja ainda melhor.
    Abraços!

  • Anônimo disse...

    Renato, muito legal a dica, é sempre bom ouvir ou ler de quem está mais “antenado” no assunto.
    Já assisti o filme e refleti bastante sobre tudo que ele fez, agora parto para o livro.

    Abraços
    Carlos

 
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